sexta-feira, 30 de maio de 2014
"No edifício viviam pessoas de toda a espécie: desde jovens trabalhadores
solteiros até velhos que moravam sozinhos, passando por universitarios e
por casais com filhos pequenos. Apesar das pequenas diferenças em
função da idade e do meio social, todas elas pareciam cansadas e fartas
da vida que levavam. Sem esperança no futuro, esquecidas das suas
ambições e com a sensibilidade embotada, a resignação e a
impassibilidade haviam-se instalado no vazio em que se convertera a sua
existência. Os rostos mostravam-se sombrios e o seu andar era pesado,
como se tivessem acabado de lhes arrancar um dente no consultório do
dentista."
"Viras-me de cabeça para baixo e deixas-me sem norte só de te saber por perto.
Que estranhos feitiços da vida os da paixão!
Porque fazes de mim rocha em vez de rio?
Quero acreditar que não estás lá, mas só consigo ver-te.
Vives num iceberg de Freud dentro de mim e de quando em quando saltas cá para fora a provar-me que estou viva, que ainda sinto, que sou capaz de amar... afinal, simplesmente estavas lá.
Pelo menos sinto!
É melhor que a indiferença.
Queres o copo meio cheio ou meio vazio?"
Que estranhos feitiços da vida os da paixão!
Porque fazes de mim rocha em vez de rio?
Quero acreditar que não estás lá, mas só consigo ver-te.
Vives num iceberg de Freud dentro de mim e de quando em quando saltas cá para fora a provar-me que estou viva, que ainda sinto, que sou capaz de amar... afinal, simplesmente estavas lá.
Pelo menos sinto!
É melhor que a indiferença.
Queres o copo meio cheio ou meio vazio?"
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