sexta-feira, 30 de maio de 2014
"No edifício viviam pessoas de toda a espécie: desde jovens trabalhadores
solteiros até velhos que moravam sozinhos, passando por universitarios e
por casais com filhos pequenos. Apesar das pequenas diferenças em
função da idade e do meio social, todas elas pareciam cansadas e fartas
da vida que levavam. Sem esperança no futuro, esquecidas das suas
ambições e com a sensibilidade embotada, a resignação e a
impassibilidade haviam-se instalado no vazio em que se convertera a sua
existência. Os rostos mostravam-se sombrios e o seu andar era pesado,
como se tivessem acabado de lhes arrancar um dente no consultório do
dentista."
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