quarta-feira, 4 de junho de 2014

Por vezes não gosto de pessoas. Não gosto da humanidade que me tira o ar. Fico sem paciência para continuar a subsistir e só me apetece estar sozinha num canto qualquer em que o mundo não me encontre. Eu e as minhas complicações, com a minha alma adormecida, com a minha vontade de não ser eu.

Fernando Pessoa é que tinha razão:

Gato que brincas na rua
Como se fosse na cama,
Invejo a sorte que é tua
Porque nem sorte se chama.

Bom servo das leis fatais
Que regem pedras e gentes,
Que tens instintos gerais
E sentes só o que sentes.

És feliz porque és assim,
Todo o nada que és é teu.
Eu vejo-me e estou sem mim,
Conheço-me e não sou eu.

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