quinta-feira, 12 de fevereiro de 2015

Hoje escrevo para ti. 
Conhecemo-nos à imenso tempo, fomos colegas de turma na faculdade. Ainda chegámos a ir ao CCB e, embora não me lembre, dei-te gelado à boca enquanto me foste levar a casa no teu ax branco com piercings. Na altura eu tinha namorado e tu eras tão nervoso, com uma carga tão grande de ansiedade em cima que, confesso, não senti nada por ti para além de amizade. Depois zangaste-te com os professores, colegas e vida universitária, lembro-me de ti a sair todo irritado da sala a dizer que tinhas desistido de tudo aquilo e eu pensei que nunca mais te veria. Mas a amizade ficou, mantive o teu número de telemóvel e enviava sms no teu dia de anos e depois, com o facebook, "amiguei-te", ficando naquela lista de malta que só se mantém o contacto em situações festivas.
Um dia, muitos anos depois, vi pelo facebook que ias a um concerto de uma espécie de Pink Floyd na Fábrica da Pólvora e, como o meu pai é grande fã da banda, peguei nele e no meu irmão e lá fomos até Tercena. Já mesmo no fim encontrei-te! Estavas mais alto e magro do que imaginava. A caminho de casa mandaste-me sms e eu respondi que não tinham tocado a minha música favorita "Poles Apart", e lá fomos trocando mensagens.
Tu apareceste numa altura em que eu não estava disponível, não por ter namorado (que não tinha) mas não estava disponível para dedicar-me novamente a alguém que passado uns tempos me iria magoar como tinha acontecido no passado. Não me queria dar de novo a conhecer até porque pensava que continuavas um tipo irritadiço sempre zangado com a vida.
Mas tu entraste a pés juntos e não desististe. Levaste-me a passear e fizeste-me rir! Uma das coisas que mais gosto em ti é o teu sentido de humor, a capacidade de me arrancar um sorriso mesmo nos piores momentos é priceless. Fomos ao cinema ver os minimons, nunca diria que eras pessoa de gostar de desenhos animados. Fomos ao CineConchas, levaste uma manta, não choveu e ainda hoje continuo impressionada pela forma como te aguentaste estoicamente a ver-me comer pipocas como se não houvesse amanhã. Fomos ao Magnetic (acertei no nome!) beber chá e ver personagens estranhas. Fomos ao sushi e não reparei que me tiravas as medidas. Ofereceste-me um perfume no dia em que fomos ao Origami e depois ao Pavilhão Chinês onde me tiraste a foto mais espectacular de sempre.
No meio de tudo isto, escreveste-me as palavras mais belas que alguém me dedicou e fiquei com medo. Estavas a apaixonar-te por mim e eu sem nunca ter reflectido no assunto, também sentia que mexias comigo. Mas tive medo, eu entrego-me de corpo e alma a quem eu escolho e sempre me decepcionaram. Tive medo que fizesses o mesmo, não queria sofrer de novo por amor e achava que estava melhor sozinha sem desilusões. Então decidi que o melhor seria afastar-me para que, tanto um como o outro, nos fossemos esquecendo antes de que, o que havia entre nós, se tornasse mais sério. 
Contudo passou-se um sábado e outro, e eu senti a tua falta. Tinha saudades tuas e senti-me tão dividida! Achava que não merecia ser feliz e que sozinha estaria melhor mas foste-me habituando à tua presença, às nossas trocas de mensagens por vezes muito totós, ao meu e teu sorriso fácil na companhia um do outro, a tu a cantarolares as músicas da rádio e eu com vontade de fazer o mesmo mas com vergonha de cantar para alguém, às nossas conversas sobre tudo e sobretudo.
Então tomei a melhor decisão de sempre e dei uma hipótese a nós. Não sabia o que ia acontecer mas fizeste-me uma surpresa, pegaste em mim e levaste-me até Monsaraz. Chegámos lá de noite, estava frio, tanto frio, lembras-te? Quiseste dar o teu casaco, foste um cavalheiro, não aceitei, e juraste a pés juntos que ali no cimo das muralhas conseguia-se ver água. Senti que me querias beijar ali, entre as ameias daquele castelo mas não aconteceu. Fomos jantar a Évora, conversámos tanto que nenhum comeu nada de especial e acabou por arrefecer quase tudo na travessa. Depois de uma encharcada, na ruela do restaurante, eu encostei-me a ti, tu encostaste-te a mim, eu olhei para cima, tu olhaste para baixo e....aconteceu. Estava dado o primeiro passo e assim quebraste todas as minhas barreiras.
E assim hoje dedico-te este post, não por se estar a aproximar o dia dos namorados mas porque me apeteceu. Obrigado por teres aparecido na minha vida na altura certa e me teres tornado numa pessoa mais feliz. Amo-te muito meu amor.

1 comentário: